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Por Edu Vasques

Pare e pense. Conseguiria, hoje, exercer suas funções diárias sem e-mail, internet e telefone? Provavelmente não. O caos se instala em poucos minutos, o desespero é geral e a sensação de inutilidade domina o ambiente. Essa é a realidade de boa parte das companhias brasileiras, que dirá nos países tratados como Primeiro Mundo. E perceba, aqui em cabos nacionais são apenas 12 anos de conexão real, tempo considerado relativamente pequeno para transformações de tamanhas proporções.

Falar sobre futuro, realizar previsões, imaginar cenários são iniciativas que exigem muito mais que bom senso e capacidade analítica. Faça o teste. Pegue uma revista de tecnologia do começo da década de 90, quando já havia Arpanet, fibra ótica espalhada em boa parte dos países, computadores em fase avançada de desenvolvimento. Quase nenhuma dessas publicações especializadas previu ou imaginou o poder e influência que a web ganharia e causaria na civilização.

De qualquer forma, é possível arriscar alguns pitacos sobre o que virá por aí nos próximos anos. Creio que três pontos estão intrinsecamente ligados à discussão sobre o futuro da tecnologia: as relações trabalhistas, o processo de inovação e, por fim, o lazer e entretenimento.

As novas ferramentas e dispositivos criados para facilitar a vida – em especial a internet e qualquer equipamento que permita mobilidade e interação – alteraram profundamente a forma de se comunicar e produzir. E assim continuará sendo. Apesar de pouco disseminado, o trabalho remoto tende a se fortalecer nos próximos anos e certamente será o padrão de atuação das pessoas. Muito em breve, encontraremos profissionais trabalhando de forma muito mais colaborativa em qualquer ponto, a qualquer momento. É o que os especialistas internacionais vêm chamando de peer production – em alusão às redes Peer-to-Peer (P2) de troca de arquivos e documentos.

A natureza do trabalho também sofrerá grandes alterações. Robôs serão responsáveis por toda manufatura operacional, deixando os seres humanos livres para determinarem rumos, pensarem em estratégias diferenciadas, enfim, criarem. O que se deverá valorizar nos seres humanos é a capacidade intelectual e de organização do conhecimento, não mais sua força de produção braçal ou repetitiva.

A inteligência e inovação estarão em saber unificar e cruzar informações e não somente em absorvê-las e distribuí-las de forma aleatória. Esses movimentos devem alterar profundamente a forma de lidar com pessoas, principalmente nos países latinos em que o contato físico e por voz ainda é uma característica peculiar.

Para eliminar os problemas de comunicação, tradutores instantâneos promoverão o fim da barreira da língua entre os povos. Ninguém terá de aprender a falar mandarim, inglês, espanhol ou português. Bastará ter um pequeno equipamento que será o “transformador” dos idiomas de origem para aqueles em que se deseja compreender, sem restrições ou distorções.

No campo pessoal, o entretenimento vai se concentrar dentro das casas. Os comandos domésticos serão realizados a partir de uma única central. Por meio de celulares e telefones inteligentes, será possível determinar não só o que se quer e quando – abrir uma persiana da janela da sala, por exemplo – mas acessar terabytes de dados armazenados entre filmes, músicas, fotos, documentos. Os computadores de alto processamento finalmente chegarão aos lares e os mecanismos de buscas serão mais avançados do que são hoje. O estabelecimento dessa comunicação independerá de dispositivos, sistemas operacionais ou localização.

Devaneios à parte, você pode achar que muito disso aqui descrito não passa de percepção, mas boa parte se não a maioria já está disponível e funciona. Essas experiências, entretanto, ainda estão restritas a centros de estudos, pesquisa e desenvolvimentos de gigantes de tecnologia. Em pouco tempo estarão aí, nas ruas, para serem vistos, comprados, usados.

O que falta é massa crítica para que os custos caiam e permitam o acesso de qualquer pessoa. O caminho para tanto, terá o cliente como rota única. Afinal, o futuro da tecnologia será determinado por quem sempre ditou as regras: os usuários. A tecnologia permanecerá meio para a realização dos desejos dos seres humanos e as possibilidades continuarão infinitas, mas não indecifráveis.

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